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Riscos psicossociais

Os 13 fatores de risco psicossocial que o guia do MTE lista

Assédio, sobrecarga, falta de autonomia, subcarga. O guia do Ministério do Trabalho exemplifica 13 fatores de risco psicossocial. Veja a lista e como avaliar cada um no PGR.

Equipe técnica Dyson SSTPublicado em 13 de julho de 20265 min de leitura

Consultoria em Saúde e Segurança do Trabalho


Desde 26 de maio de 2026 os fatores de risco psicossocial precisam estar no PGR de toda empresa com empregados CLT. A dúvida que sobra no RH é prática: afinal, o que exatamente eu tenho que avaliar? O Ministério do Trabalho respondeu isso num guia — e ele lista 13 exemplos.

O que são fatores de risco psicossocial?

Os fatores de risco psicossocial relacionados ao trabalho (FRPRT) são características da organização do trabalho — como as tarefas são distribuídas, cobradas, chefiadas e reconhecidas — que podem adoecer o trabalhador. Não são traços de personalidade nem problemas pessoais: são condições do ambiente, e por isso entram no gerenciamento de riscos junto com ruído, produto químico e risco de queda.

A Portaria MTE 1.419/2024 incluiu esses fatores no capítulo 1.5 da NR-1, e a NR-1 manda considerá-los junto com as condições de trabalho da NR-17, a norma de ergonomia.

De onde vem a lista de 13 fatores?

Do Guia de Informações sobre os Fatores de Riscos Psicossociais Relacionados ao Trabalho, publicado pelo MTE em 2025 para orientar as empresas durante a fase educativa da norma.

A lista é exemplificativa, não uma prova de múltipla escolha

O próprio guia deixa claro: os 13 fatores são exemplos dos mais comuns, não uma lista fechada. Avaliar os 13 e parar por aí não garante conformidade — o que a NR-1 pede é que a empresa olhe para o seu contexto e identifique o que existe nele. Pode haver menos, pode haver mais.

Os 13 fatores, um a um

1. Assédio de qualquer natureza

Assédio moral, sexual ou discriminatório. É o fator mais associado a transtorno mental e o que mais gera ação judicial. Inclui a chefia que humilha em público, as "brincadeiras" recorrentes e a exposição vexatória por metas.

2. Má gestão de mudanças organizacionais

Reestruturações, fusões, troca de sistema ou de liderança conduzidas sem comunicação e sem participação. O problema não é mudar — é mudar sem que ninguém saiba o que vem depois.

3. Baixa clareza de papel ou função

A pessoa não sabe exatamente o que se espera dela, a quem responde ou onde termina a sua responsabilidade. Ordens contraditórias de dois chefes entram aqui.

4. Baixas recompensas e reconhecimento

Esforço alto e retorno baixo — em salário, em perspectiva de carreira ou simplesmente em reconhecimento. É o desequilíbrio entre o que se entrega e o que se recebe de volta.

5. Falta de suporte no trabalho

Ausência de apoio da chefia ou dos colegas quando o problema aparece. O trabalhador sabe que, se algo der errado, vai resolver sozinho — e responder sozinho.

6. Baixo controle no trabalho e falta de autonomia

Nenhuma influência sobre o próprio ritmo, método ou pausas. Trabalho totalmente ditado por sistema, esteira ou roteiro rígido. Além do adoecimento mental, está associado a DORT (lesões por esforço repetitivo).

7. Baixa justiça organizacional

Regras aplicadas de forma desigual: promoção sem critério, punição seletiva, privilégios não explicados. O efeito é a sensação de que o esforço não muda nada.

8. Eventos violentos ou traumáticos

Assaltos, acidentes graves, agressão de clientes, ameaças. Frequente em comércio, transporte, segurança e saúde.

9. Baixa demanda de trabalho (subcarga)

Sim, trabalhar de menos também adoece. Ociosidade forçada, tarefas sem sentido ou o clássico "geladeira" — deixar a pessoa sem função para que peça demissão.

10. Excesso de demandas (sobrecarga)

Volume ou ritmo além do gerenciável, prazos irreais, metas agressivas sem suporte, interrupções constantes e a expectativa de estar disponível fora do expediente. Também associado a DORT.

11. Maus relacionamentos no local de trabalho

Conflitos recorrentes, panelinhas, clima hostil e competição predatória entre áreas.

12. Trabalho em condições de difícil comunicação

Ambientes onde não dá para se comunicar bem — ruído alto, isolamento físico, equipes espalhadas sem canal adequado, barreira de idioma.

13. Trabalho remoto e isolado

Home office sem limite de jornada, trabalho noturno solitário, atividade em local remoto. Associado a transtorno mental e a fadiga.

O que fazer com essa lista?

Ler os 13 fatores e reconhecer a sua empresa em alguns deles é o começo — mas não é o que a fiscalização vai pedir. O caminho é:

  1. Levantar quais desses fatores existem de fato na sua operação, por setor ou função, com um método reconhecido (questionário validado, entrevistas, grupos, análise de indicadores).
  2. Registrar no inventário de riscos do PGR, junto com os demais riscos — e não num documento separado que ninguém lê.
  3. Avaliar cada um: qual a chance de adoecer e qual a gravidade.
  4. Montar plano de ação para os que exigem tratamento, com responsável, prazo e forma de acompanhamento.
  5. Acompanhar e revisar, porque o risco psicossocial muda quando a organização muda.
O erro mais comum: confundir avaliação com pesquisa de clima

Pesquisa de clima mede satisfação. Avaliação de risco psicossocial identifica fatores que podem causar dano à saúde e exige plano de ação para eles. Uma não substitui a outra — e apresentar pesquisa de clima como avaliação de risco não sustenta uma fiscalização.

E se a empresa não avaliar?

Desde 26/05/2026 a fiscalização é punitiva: a ausência dos fatores psicossociais no PGR pode gerar autuação com base na NR-28, e em situação grave há risco de interdição. Os valores e o modo de cálculo estão em multas da nova NR-1.

Há ainda o custo silencioso: afastamentos por transtorno mental viram nexo com o trabalho, estabilidade e ação judicial — normalmente muito mais caros do que a multa.

Se quiser entender a norma inteira, veja a página completa da NR-1. E é exatamente esse levantamento que a Dyson conduz no serviço de Riscos Psicossociais: avaliação com método, inclusão no PGR e plano de ação que se sustenta.

Assédio — um dos fatores mais citados — também virou risco jurídico direto da empresa nos últimos anos. Veja por que o assédio moral deixou de ser só um problema de RH.

Não sabe por onde começar a avaliação na sua empresa? Fale com a gente pelo WhatsApp que a gente explica o caminho para o seu caso.

Fontes oficiais: NR-1 — Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (gov.br) · Portaria MTE 1.419/2024, que incluiu os fatores psicossociais na NR-1 · NR-17 — Ergonomia (gov.br).

Perguntas frequentes

Quais são os fatores de risco psicossocial segundo o MTE?
O guia do Ministério do Trabalho e Emprego exemplifica 13 fatores: assédio de qualquer natureza, má gestão de mudanças organizacionais, baixa clareza de papel, baixas recompensas e reconhecimento, falta de suporte no trabalho, baixo controle e falta de autonomia, baixa justiça organizacional, eventos violentos ou traumáticos, subcarga, sobrecarga, maus relacionamentos, trabalho em condições de difícil comunicação e trabalho remoto e isolado.
A lista de 13 fatores é obrigatória e fechada?
Não é fechada. O próprio guia do MTE diz que a lista é exemplificativa: ela mostra os fatores mais comuns, mas cada empresa precisa avaliar o seu contexto e identificar outros que existam na sua realidade. O que é obrigatório é avaliar os fatores psicossociais, não marcar 13 caixinhas.
Avaliar riscos psicossociais é a mesma coisa que fazer teste de estresse?
Não. A NR-1 pede avaliação dos fatores presentes na organização do trabalho — como o trabalho é dividido, cobrado e conduzido — e não um diagnóstico da saúde mental de cada pessoa. O foco é o ambiente, não o indivíduo.
Preciso contratar psicólogo para avaliar os riscos psicossociais?
A NR-1 não exige um profissional específico. Ela exige um levantamento consistente, com método reconhecido, registrado no inventário de riscos e com plano de ação. Na prática, é comum a avaliação ser conduzida por quem elabora o PGR, com apoio de psicólogo do trabalho quando o caso pede.

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A Dyson SST cuida da documentação, dos laudos e dos treinamentos para a sua empresa ficar em dia — sem dor de cabeça.